“É cousa tão natural o responder, que até os penhascos duros respondem e para vozes têm ecos. Pelo contrário, é tão grande violência não responder; que aos que nasceram mudos fez a natureza também surdos, porque se ouvissem, e não pudessem responder, rebentariam de dor” (Pe. Antônio Vieira, Cartas, 1971, t. III, p. 680
Aqui, na Terra, a fome continua, A miséria, o luto, e outra vez a fome.
Acendemos cigarros em fogos de napalme E dizemos amor sem saber o que seja. Mas fizemos de ti a prova da riqueza, E também da pobreza, e da fome outra vez. E pusemos em ti sei lá bem o que desejo De mais alto que nós, e melhor e mais puro.
No jornal, de olhos tensos, soletramos As vertigens do espaço e maravilhas: Oceanos salgados que circundam Ilhas mortas de sede, onde não chove.
Mas o mundo, astronauta, é boa mesa Onde come, brincando, só a fome, Só a fome, astronauta, só a fome, E são brinquedos as bombas de napalme.
Advogado Criminalista; Professor Universitário da FADISMA; Especialista em Direito Penal Empresarial (PUCRS); Mestre em Ciências Criminais (PUCRS); Doutorando em Direito Penal (Universidade de Buenos Aires)